Este blog surge a partir do módulo "Arte e Literatura: Humanidades Médicas I" do curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará. O módulo tem por objetivo explorar, junto com as e os estudantes de graduação em Medicina, outras dimensões da práxis médica que não apenas as competências tecnológicas duras. Para isso, lança mão de recursos pedagógicos vivenciais e audio-visuais, trazendo elementos da Literatura, das Artes Plásticas, do Cinema, bem como das experiências pessoais compartilhadas pelas e pelos estudantes.
Apesar disso, hoje o blog não quer se definir. Aqui encontram-se estranhamentos e aleluias cotidianos de um contínuo tornar-se.

sábado, 9 de abril de 2011

Como se fosse Domingo à tardinha...


E existem também as alegrias mansas. Elas nos chegam assim tão macias e mornas quanto a lembrança de um abraço de avó. A alegria mansa não se localiza. Ela vem não se sabe de onde, e fica até a percebermos. Assim, descoberta, perde sua razão e evanesce. O instante mesmo em que o dedinho da criança toca a bolha de sabão. Sorriso bobo que não se sabe sorriso. Nomeado, já é outra coisa.

Só pode ter candura quem já sentiu a chegada doce e a despedida de uma alegria mansa. Ah! como dá saudade, meu Deus... Uma saudade sem rosto, sem nome, sem memória. Saudade que tateia o vazio entre eu e a leveza do mundo. O ar em minúsculos cachinhos escorre diáfano entre os dedos da mão espalmada à procura de quê. E, de repente, se ri por ter percebido que se estava a ponto de chorar só por causa do pôr-do-sol.

Nomeada, a alegria cala tudo. Depois de alegriazinha, fico assim silencioso por três dias, só escutando. É o corpo que escuta a vida. Passado o estremecimento, tudo volta à sua música caótica habitual. Poesia virou carne e sangue. Meu poema só pode ser escrito em braile.


Um comentário:

  1. tal alegria mansa
    é uma revelação em si mesma
    ...

    tocante, camarada.

    forte abraço.

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