Este blog surge a partir do módulo "Arte e Literatura: Humanidades Médicas I" do curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará. O módulo tem por objetivo explorar, junto com as e os estudantes de graduação em Medicina, outras dimensões da práxis médica que não apenas as competências tecnológicas duras. Para isso, lança mão de recursos pedagógicos vivenciais e audio-visuais, trazendo elementos da Literatura, das Artes Plásticas, do Cinema, bem como das experiências pessoais compartilhadas pelas e pelos estudantes.
Apesar disso, hoje o blog não quer se definir. Aqui encontram-se estranhamentos e aleluias cotidianos de um contínuo tornar-se.

domingo, 27 de julho de 2014

Para o luar negro do Morro Branco

"Nas ondas da praia
Nas ondas do mar
Quero ser feliz
Quero me afogar.

Nas ondas da praia
Quem vem me beijar?

Quero a estrela-d'alva
Rainha do mar.

Quero ser feliz
Nas ondas do mar
Quero esquecer tudo
Quero descansar."



(Cantiga - Manuel Bandeira)
















terça-feira, 10 de junho de 2014

Loquaz


Quanto de mim se desdobra nesse silêncio?
Quem sabe ao certo o dia em que finalmente volta a chover um pouco, meu deus?
Só se respira bem com os poros.
Mergulho na terra para arar o corpo.
Sertão e seus passarinhos. 
Já até os posso ouvir. Juro.











quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Admissão na enfermaria


-- Dona Rita, o que traz a senhora até aqui?
-- Não sei, meu filho.
-- Tudo bem. O que é que a senhora sente?
-- Saudade.


Eu também.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Para não emudecer, ou epílogo de uma revolta


A boca seca, a voz rouca, abandonada de poesia.
Escrevo agora aos tropeções
joelhos sangrando.
Para lembrar que gosto tem
dizer.
Eu, que sempre silencio,
que me esgueiro e me esvaio entre os dedos.
Permaneço imóvel
Com um "sim" sufocado entre as mãos.
E a sede que nunca passa.
Que nunca reivindica.
Que se acostumou a não ter o que beber.
Recusa o copo que se oferece.
Sobressaltos.
Aceitar a sede me ressequiu até o sonho.

domingo, 9 de setembro de 2012

Às 15 horas



Ai! Violetinha morreu.
Não foi o gavião quem matou.
Ela lhe punha medo 
com seu vestido todo branco e roxo
com sua vozinha tão bonita
com seu cheiro de flor doída
suas danças.
O que aconteceu foi nada.
Um veio vazio foi se abrindo devagarzinho
bem no mais escondido de Violetinha.
Fez ela secar de dentro pra fora.
Murchou.
O Nada sentou-se e comeu os poemas.