
"Se existe alguma ordem, para mim, é a da vertigem."
(Marcia Tiburi)
(Marcia Tiburi)
Qual o limite da possibilidade de um olhar objetivo em uma relação terapêutica? O filme italiano "O Quarto do Filho" não trata especificamente disso, mas, de forma um tanto despretensiosa, nos leva a tal questionamento. Conduzido de maneira sincera e absurdamente delicada, o filme nos conta a história de um psicanalista e de sua família que têm seu relacionamento e certezas postos em cheque após uma grande perda. A angústia do vazio, talvez o tema central da obra, é explorada através dos silêncios presentes ao longo de toda história, sobretudo os do psicanalista, em suas longas corridas e na belíssima cena em que, mudo, em um parque de diversões, vivencia corporalmente a vertigem que sente de forma abstrata, ou ainda na secreta e adivinhada compreensão de si que a família intui à beira mar, na última cena. A música tema "By this River" ajuda a completar essa sensação de queda e de perda de si no nada.(Viviane Mosé
Receita para arrancar poemas presos)
Acho clichê essas postagens de começo de ano que falam exatamente sobre isso, sobre expectativas e promessas autodirigidas. Mas me parece inevitável, desta única vez, fazer uma espécie de ruptura, ou de demarcação de um outro momento. O fato é que, como se vê, decidi continuar o blog e, como sei que ao menos duas pessoas dão uma passadinha por aqui, explico-me. Não se trata de uma ruptura séria, mas de uma desobrigação -- existe? -- com a disciplina de Humanidades Médicas I, uma vez que esta já acabou. No entanto, penso que o conteúdo que aqui será postado, continuará perpassando aqueles assuntos, uma vez que dizem tanto a respeito de minha caminhada, não só acadêmica, mas pessoal.